Os devaneios aqui da je!

26
Set 07

Porque é que há pessoas que gostam de contar a vida toda da sua família ?

Contar o dia a dia, o que fazem ou deixam de fazer, que cursos têm, o que os faz querer gritar aos sete ventos o quanto espectaculares são os seus familiares?Tudo bem, acho muito bem que tenham orgulho neles, mas andar para aí a armar-se a dizer que eles é que são os melhores nisto e naquilo, é escusado.

Acabou de sair daqui uma cliente que nunca me lembro de ter atendido na minha vida, pois que esteve aqui pelo menos uma hora a relatar a vida da sua família , que o sobrinho é professor catedrático , que ao fim de 20 anos trocou a mulher por uma bem mais nova, que a sobrinha é médica em Washington , e que tem grande nome lá fora, sai nas publicações de medicina, e no meio desta conversa toda de vez em quando repetia "já pode ver a qualidade desta gente", chegou ao ponto de me relatar o que faz a empregada da sobrinha na América, o que limpa o que deixa de limpar...depois da família foi a vez dela própria, que casou tarde, não tem filhos, que em tempo contadinho trabalhou 50 anos, o que fazia no 25 de Abril, que trabalhou no concelho da revolução... ufaaaaaaaaa !!!Posso-vos garantir que durante esta hora de conversa (só dela) se eu abri a boca mais de cinco vezes para dizer alguma coisa foi muito...a Sra. era tipo metralhadora ... e isto tudo para quê? Eu não lhe perguntei nada, a sobrinha é médica e tem uma casa espectacular?Que bom para ela porque para mim é igual ao litro!

Eu realmente tenho que ter uma SANTA PACIÊNCIA!!!

publicado por Filipa às 12:19
sinto-me: Com a cabecinha em água
música: Foo Fighters

comentários:
Apetece-me dizer, F..... que paciência.

Um beijo sonhador e de muita paciência.

Se tiveres mais um pouquinho de paciência, aqui deixo um texto de um sonho que se tornou realidade.


Desejo

Devia deixar de fumar, mas no entanto...
Traguei a noite ao mesmo ritmo que ia deitando abaixo a lata de Coca-Cola que agora serve de cinzeiro.
A roupa está disposta pelo quarto ao abandono do meu corpo e do de Paula.
Esta dorme a meu lado e a certa altura da noite, penso que a respiração dela me faz lembrar suaves murmúrios de anjos… (melhor: colas na tua mente o pulsar ritmado que sai pelas suas narinas à tua ideia de anjos repousando sobre uma nuvem, qual nenúfar, no céu).
Mas, logo concluí que isso era efeito do sono que surgia quase à mesma velocidade que queimava os cigarros contra os pulmões.
Paula tem o cabelo encaracolado e o rosto está disposto sobre a brancura da almofada.
Os seios cheios, fartos mesmo, escondem-se na camisola que não alberga o tamanho dos mesmos e não há palavras, por mais poéticas que sejam, que encubram os pensamentos que por momentos me ocorrem.
Acordado, agora medito sobre o inevitável breve final do mundo. Imagino já o estrondo que ecoará na minha cabeça e fumo.
Fumo muito e sempre. Fumo no carro, fumo quando chego a casa, antes da refeição, durante e depois. Fumo na casa de banho. Fumo enquanto faço amor.
Paula nunca aguentou o cheiro do fumo. Sei, mas insisto em tirar mais um cigarro do maço e em acendê-lo. Paula dorme.
Levanto-me e agarrando na lata de Coca-Cola que agora serve de cinzeiro, acerco-me da janela. Da janela vejo o mar. Enquanto observo os miúdos que desafiam as ondas a rebentar sobre a areia, Paula acorda.
Disse, bom dia, caminhou na direcção da porta e entre o caminho da cama e da casa de banho ainda tem tempo de completar, acaba com a merda do fumo, que estás a empestar o quarto.
Paula demora-se na casa de banho; oiço o som da urina projectar-se na água da sanita.
Puxa o autoclismo, o papel higiénico rola por duas vezes, a torneira abre-se, a água jorra contra o azulejo, a torneira fecha-se.
Paula descoberta ao mundo, atravessa a porta da casa de banho que dá acesso ao quarto e diz:
- Já nem te barbeias.
Eu faço-me de mudo. Continuo a fumar junto à janela e Paula diz:
- Veste pelo menos a camisola, está muito frio.
Mas eu devolvo a ordem com a pergunta:
- Quando foi que tudo aconteceu?
- Quê? Pergunta ela.
- Quando foi que tudo aconteceu, repito, tudo isto?
- Tudo, mas tudo, o quê?
- Isto de estarmos aqui, mas não estarmos: tu seres uma chata, e eu já não aguentar nada disto; respondo de uma maneira seca.
Paula diz que não sabe, mas adianta que talvez tudo tenha acontecido na altura em que me deixou que lhe tocasse a intimidade com os dedos com cheiro a cerveja e decidiu deixar aquele ex-marido banana para fugir comigo, só porque eu tinha um tom de voz que fazia lembrar o António Banderas e lhe prometera comprar uma ilha algures no Mediterrâneo só para os dois.

Ela diz que foi isso, que foi isso… que aconteceu.






João Cordeiro a 26 de Setembro de 2007 às 18:14

Muito Obrigado, está giro o texto.
Beijinhos
Filipa a 27 de Setembro de 2007 às 11:24

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